A subrepresentação de mulheres pretas no Candomblé
- WR Express
- 17 de fev.
- 2 min de leitura
Por: Cibele Martins

✅ 17/02/2025 | 08:12
O Candomblé, enquanto prática religiosa afro-brasileira, é rico em tradições e simbolismos que refletem a cultura africana e as experiências dos povos negros no Brasil. No entanto, um aspecto preocupante dentro desse contexto é a subrepresentação de mulheres pretas, que muitas vezes são marginalizadas tanto nas narrativas históricas quanto nas práticas contemporâneas da religião.
Historicamente, as mulheres pretas desempenharam papéis fundamentais no desenvolvimento e na preservação do Candomblé. Elas foram responsáveis por transmitir conhecimentos, rituais e tradições de geração em geração. Contudo, a visibilidade dessas mulheres é frequentemente eclipsada por narrativas que destacam figuras masculinas ou que não reconhecem plenamente a contribuição feminina.
A subrepresentação se manifesta de várias maneiras. Em muitos terreiros, as estruturas de poder tendem a ser dominadas por homens, o que pode limitar as oportunidades para que mulheres pretas ocupem posições de liderança. Além disso, a estética e os discursos sobre o Candomblé muitas vezes não refletem a diversidade e a riqueza das experiências das mulheres negras.
É crucial reconhecer e valorizar as vozes das mulheres pretas no Candomblé, não apenas como praticantes da religião, mas também como líderes, sacerdotisas e guardiãs de saberes ancestrais. A inclusão dessas vozes enriquece o entendimento da religião e promove uma representação mais justa e equitativa.
Para combater essa subrepresentação, é necessário um esforço coletivo dentro das comunidades do Candomblé para promover a igualdade de gênero e dar espaço para que as mulheres pretas se destaquem. Isso envolve não apenas mudanças estruturais nos terreiros, mas também uma valorização ativa das histórias e contribuições dessas mulheres na literatura, na academia e na sociedade em geral.
Ao abordar a subrepresentação de mulheres pretas no Candomblé, estamos não apenas reconhecendo suas lutas e conquistas, mas também fortalecendo a religião como um todo ao promover uma diversidade rica e inclusiva.

Cibele Martins
Iniciei minha jornada no culto tradicional de candomblé para Oyá, pela nação do Efon, em 2014. Filha do respeitado líder religioso Babalorixa Sr. Michel de Odé e pertencente à hierarquia do Asé Egbe Efon Odé Bilori, localizado no distrito de Terra Preta – Mairiporã/SP. Asé reconhecido e interligado diretamente ao tradicional Ilé Ògún Anaweji Ìgbele Ni Oman, também conhecido como Àse Pantanal, localizado em Duque de Caxias-RJ, sob a diligência religiosa da sacerdotiza Sra. Iya Maria de Xango, a Matriarca da Nação de Efon. [+ informações de Cibele Martins]
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