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Carnaval, ancestralidade e religiões de matriz africana: um encontro de fé e cultura

  • Foto do escritor: WR Express
    WR Express
  • 18 de fev.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 19 de fev.

Por: Babalorixá Rodrigo Gonçalves


Foto: Reprodução
Foto: Raphael David | Riotur/ Fotos Públicas

18/02/2025 | 17:48


O Carnaval brasileiro é uma das maiores manifestações culturais do mundo. Mas além da música, dos desfiles e da festa que arrasta multidões, há uma história profunda de resistência e ancestralidade que precisa ser contada. Suas raízes estão fortemente ligadas às religiões de matriz africana, cujos ritos e expressões influenciaram diretamente o surgimento e a evolução dessa celebração.



Desde os primeiros batuques, que ecoavam nos quilombos e nos terreiros, até as grandes escolas de samba que desfilam nas avenidas, o Carnaval sempre foi um espaço onde a cultura afro-brasileira se expressa com força e identidade. Os toques de tambor, os cantos que remetem aos orixás e às entidades espirituais, as danças que carregam movimentos ancestrais e as próprias fantasias que homenageiam figuras da mitologia afro-brasileira são marcas dessa influência.


As primeiras escolas de samba nasceram dentro de comunidades negras, muitas delas ligadas a terreiros de candomblé e umbanda. Nomes como Tia Ciata, mãe de santo e grande articuladora cultural do início do século XX, foram fundamentais para consolidar o samba e sua ligação com as tradições africanas. Ao longo do tempo, as escolas de samba se tornaram símbolos de resistência, enfrentando preconceitos e perseguições, mas mantendo viva a conexão com os orixás e com a espiritualidade do povo negro.


O enredo de muitas escolas ao longo dos anos trouxe temas ligados à religiosidade afro-brasileira, exaltando divindades como Xangô, Iemanjá, Oxum e Ogum. Essas narrativas são mais do que representações artísticas; são afirmações de identidade e de fé. São formas de manter viva uma tradição que, historicamente, foi marginalizada e criminalizada.


No entanto, mesmo com essa forte influência, o preconceito contra as religiões de matriz africana ainda se faz presente. Terreiros são atacados, adeptos sofrem discriminação e muitas expressões culturais afro-brasileiras são alvo de desinformação. O Carnaval, ao dar visibilidade a essas tradições, também se torna um espaço de resistência contra a intolerância religiosa.


A festa que hoje encanta o mundo inteiro só é possível porque há séculos os tambores não foram silenciados. O axé que pulsa nos desfiles, a energia das baterias e a espiritualidade que transborda das alegorias são heranças daqueles que vieram antes. É a celebração da vida e da ancestralidade, em uma manifestação que une arte, devoção e pertencimento.


Valorizar essa ligação entre Carnaval e religiões de matriz africana é reconhecer que essa festa não é apenas entretenimento, mas um ato de memória, identidade e resistência. No brilho das fantasias, no ritmo do samba e na vibração do povo, está a força dos que nunca deixaram a tradição se apagar. O Carnaval é, e sempre será, uma celebração da ancestralidade.




Babalorixá Rodrigo Gonçalves - AxéNews

Babalorixá Rodrigo Gonçalves

Bàbá Rodrigo Gonçalves é o dirigente do Ilè Asè Orisà Odò Funfun e presidente do Awo, uma iniciativa que reúne diversos dirigentes religiosos para louvar o sagrado em praças públicas, promovendo a integração e a visibilidade das tradições afro-brasileiras. Produtor cultural e influenciador digital, Bàbá Rodrigo utiliza suas plataformas para divulgar e valorizar a cultura de matriz africana.  [+ informações do Babalorixá Rodrigo Gonçalves]



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Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.


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