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Música com alma e excelência: Tiago ti Ògún une tradição e inovação em um trabalho enriquecedor nas plataformas digitais

  • Foto do escritor: WR Express
    WR Express
  • 23 de fev.
  • 6 min de leitura

Atualizado: 24 de fev.

Tiago ti Ògún tem explorado as mídias digitais para levar a força dos Orixás


23/02/2025 | 19:26


Tiago ti Ògún, músico e ogã, tem se destacado pela criação de conteúdos audiovisuais inovadores e de alta qualidade para os orixás. Nesta entrevista, ele compartilha sua jornada de conexão com a ancestralidade, a fé e o processo criativo por trás de seu trabalho, que une tradição e inovação.


Confira!


AxéNews: Olá, Tiago ti Ògún. Seja muito bem-vindo em nossa plataforma. É uma satisfação recebê-lo por aqui. Eu, Leandro Ribeiro, particularmente, sou um grande admirador de seu trabalho. Mas antes de falar sobre eles, conta pra gente um pouco de sua trajetória religiosa e sua relação com os Orixás.


Tiago ti Ògún: Olá Leandro, a admiração é recíproca, curto muito as matérias e entrevistas do AxéNews, além das coberturas nos eventos. Desde já agradeço a oportunidade de mostrar meu trabalho. Então, tenho pouco tempo na religião, menos de 4 anos. Em meus 46 anos de idade já fui de igreja batista durante quase 20 anos, depois durante 10 anos espírita e devido a visitas no Ilè aonde comecei a ancestralidade me chamou e me tocou de maneira extraordinária. Na época, ainda espírita, namorava com a Ekedi da casa e comecei a visitar e conhecer o pessoal. Após várias visitas fui sentindo a conexão com a casa e com o Candomblé. Conversei e perguntei pra mãe de santo como deveria proceder para adentrar na casa e tal. Entrei e comecei a trabalhar nas funções e tal, como qualquer um, e foi em um Orô de Ósùn que tive a confirmação de que alí (a religião) era meu lugar. Nesse mesmo Orô quando estávamos no local de culto para Ọbalúwáiyé eu senti uma força tão grande que me fez chorar, não foi apenas emoção de momento pois não sou de me emocionar fácil, eu choro sim mas quando sinto a espiritualidade forte no local e assim foi. E ouvi uma voz na cabeça (acontece sempre) dizendo que alí era meu lugar. Então foi confirmação e início da minha trajetória na religião Candomblé. Após um tempo fui apontado e suspenso ògán de Yemojá, fazendo meu juramento o qual continuo e continuarei a cumprir até o fim da minha vida.



AxéNews: Como você iniciou sua jornada na música? Houve uma influência da sua família ou de seu terreiro nesse processo?


Tiago ti Ògún: Então, eu desde criança tenho dom musical. Aprendi a tocar gaita sozinho, foi meu primeiro instrumento. Depois teclado também sozinho, fazendo aulas posteriormente. Sou músico multi instrumentista, toco gaita, teclado, bateria, percussão, atabaque e contrabaixo, além de cantar. Minha musicalidade podemos dizer que se desenvolveu inicialmente na época de igreja, assim como foram muitos cantores e músicos no mundo todo. Na época eu fui corista e voz principal masculina durante 12 anos (desde adolescente), também fui líder do vocal e tecladista. Nesse meio tive 3 trabalhos (CDs) autorais, fazendo participações em diversos locais e alguns estados. Porém a espiritualidade e ancestralidade me mostraram que alí não era mais meu lugar e então saí, indo inicialmente para o Espiritismo e hoje no Candomblé. No terreiro aonde eu estava não chegaram a me ensinar nada não, é aquela coisa que acontece em muitos locais, porém eu comprei meu primeiro atabaque, um barrica, e comecei a estudar sozinho. A musicalidade de nascença e a espiritualidade fizeram o que tinham que fazer para a realização do trabalho que hoje faço.


AxéNews: O que te inspirou a criar conteúdos audiovisuais tão inovadores, dinâmicos e profissionais para os orixás no Instagram? Como é o processo da criação dos conteúdos e qual a mensagem que você quer transmitir com eles?


Tiago ti Ògún: Eu bebo muito de diversas fontes, e como já tive experiências anteriores foi o gancho para a realização desse trabalho. Eu aprendi sozinho a fazer produção musical, outro facilitador, então junto esse conhecimento pra realizar esse trabalho. O processo começa em pesquisar a letra e a cantiga mais próxima o possível da correta. Sabemos que são muito antigas, centenárias algumas, e por causa disso existem muitas variações de casa para casa. Depois o primeiro passo é gravar o canto e depois produzir o resto. A mensagem a transmitir é só uma: respeito e louvor ao Sagrado.



AxéNews: O que você considera mais importante ao criar um conteúdo para os orixás? Como equilibrar a tradição e a inovação em suas produções?


Tiago ti Ògún: Pra mim o mais importante é a qualidade. Eu sou muito chato com isso, sou perfeccionista e as vezes acho que não está bom, mesmo já tendo terminado. É uma tortura confesso, mas não consigo ser diferente. Eu me cobro muito nisso, é uma busca constante pela perfeição, mas infelizmente sei que não existe afinal ninguém é perfeito, mas eu tento kkkkkkk. O equilíbrio está na musicalidade, afinal não posso exagerar e colocar elementos demais senão estraga o propósito.


AxéNews: Seu trabalho no Spotify, 'Toques e Cantigas para o Sagrado - Vol 1', traz 18 faixas com cantos muito profundos. Como foi o processo de gravação e escolha das canções para esse projeto?


Tiago ti Ògún: O processo foi por erro e tentativa. Analisei as cantigas antes de gravá-las, escolhi a dedo de forma que pudessem transmitir a essência do que desejo passar, ou seja, conexão com o sagrado. O meu trabalho em si não é somente para os Òrìsàs, canto para N'kise também.


AxéNews: Qual a importância de levar o axé e os toques para um público mais amplo, especialmente nas plataformas digitais como Instagram e Spotify?


Tiago ti Ògún: A principal missão e importância é fazer a nossa fé ser conhecida, através de um trabalho dedicado e feito com muito carinho. Axé em si significa força e é essa força que tento transmitir através das minhas produções.


AxéNews: Como você vê a receptividade do público em relação à sua proposta musical e audiovisual? Tem algum feedback que tenha marcado a sua trajetória?


Tiago ti Ògún: O público varia, pois ainda existem aqueles que são resistentes ao que não é digamos "tradicional", ou seja, uns ògáns, uma galera, junta, canta e grava. Meu trabalho se diferencia exatamente em quebrar esse paradigma, pois foco muito na produção e trabalho vocal, através dos arranjos que faço. Mas felizmente é a minoria, a maioria das pessoas tem gostado e entendido a minha proposta que é artística e religiosa, além de ajudar a muitas pessoas a cantar. São muitos feedbacks, muitos comentários e mensagens diretas, não tem como especificar um. Porém a maioria é de que eu tenho ajudado as pessoas e entenderem a forma de cantar, devido a minha dicção e trabalho em vídeo.


AxéNews: Além de músico e ogã, você também se dedica ao trabalho de edição e produção dos vídeos. Quais são os maiores desafios ao produzir material audiovisual de alta qualidade para as redes sociais?


Tiago ti Ògún: Os desafios são os mesmos pra quem trabalha no ramo audiovisual, sempre procurar novos e melhores equipamentos. Porém com o tempo tenho superado essas barreiras e conseguido fazer com o que tenho e posso.


AxéNews: Como você vê o papel da música e do canto dentro do Candomblé na atualidade? Eles continuam cumprindo a mesma função de quando começaram, ou há novas camadas e significados?


Tiago ti Ògún: É um papel crucial e muito importante, afinal as religiões de matriz africana são rítmicas. Porém o que me deixa triste é ver vários ògáns que NÃO levam a sério o juramento que fizeram. Vão tocar de qualquer maneira, vestidos como se fossem no bar da esquina, sem reverência nem Rumbê. Fora alguns que se acham quase pais de santo e ainda aqueles que vão pra paquerar. Os ògáns precisam entender que são INSTRUMENTOS do sagrado. Òrìsà não precisa de nós, um Candomblé ou Gira pode ser feito nas palmas, então alguns aí precisam acordar e descer do palco que tá feio. Existem diversas camadas quando se fala em música dentro dos terreiros, porém o principal é que devemos manter: o respeito e reverência ao Sagrado.



AxéNews: O que podemos esperar para o futuro do seu trabalho? Há projetos novos que você gostaria de compartilhar?


Tiago ti Ògún: O futuro só a Deus pertence, porém tenho alguns planos que envolvem em levar meu trabalho para fora do eixo Rio/São Paulo, coisa que já está saturada. Já estou também trabalhando em um novo álbum que pretendo lançar final do ano ou início do ano que vem, o qual será ainda mais trabalhado e com melhor qualidade. Pretendo também fazer um álbum com um Xirê completo para os Òrìsàs, mas isso será em um futuro mais pra frente, será meu álbum mais trabalhoso e longo.



Para conhecer um pouco mais do trabalho de Tiago ti Ògún, acesse seu instagram: @tiagotiogun

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