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Racismo Ambiental

  • Foto do escritor: WR Express
    WR Express
  • 10 de mar.
  • 3 min de leitura

Por: Iyalorisà Juçara de Yemojà


10/03/2025 | 05:51


O Racismo Ambiental é o processo de discriminação e injustiças sociais que populações compostas por minorias étnicas sofrem, devido à degradação ambiental e em decorrência das mudanças climáticas.



Diante disso é que o racismo urbano, institucional e ambiental se relacionam e se retroalimentam, no livro de Joyce Berth -  Se a cidade fosse nossa - racismos, falocentrismos e opressões nas cidades, afirma que “enquanto o racismo no meio urbano se consolida e se recria a partir da configuração das cidades, o racismo ambiental é muito mais amplo e abrangente, porque emprega técnicas de promoção do sofrimento de grupos razializados, como negros e indígenas, pela escassez ou ausência total de medidas que viabilizam o acesso à terra e aos recursos provenientes”. 


O racismo urbano concretiza-se intencionalmente no território e, junto com a institucionalidade estruturada sob o manto do Pacto da Branquitude, para recordar Cida Bento, induz à criação de cidades para poucos, que convivem em espaços diversos com diferenças astronômicas de financiamento, de estrutura social e de subjetividades. 


A institucionalização do racismo na elaboração de políticas e na própria execução demonstra que a produção legislativa, seja em âmbito federal, estadual e municipal estão pautadas na manutenção e na proteção de privilégios. O racismo resta evidente na desigual distribuição do território urbano, o que Joice Berth aborda como “divisão racial do espaço”, o que não exclui a divisão por classe e gênero também.


Favelas, subúrbios, periferias não precisariam de denúncias, feito que são a maioria do nosso território. O subúrbio, a periferia, as favelas são a regra, não a exceção. Impressiona como os meios de comunicação, a própria academia, as universidades e os pesquisadores invertem essa narrativa. A classe média branca e suas necessidades são tratadas como sinônimos de universalidade, de produção de verdades, numa insensatez que levou à tragédia socioclimática, como se refere Sérgio Abranches. Uma classe média ignorante do cenário vigente de quase não-retorno às condições dignas de vida humana e que mataram em torno de 24 mil pessoas em todo o mundo no ano de 2023. 


São milhões de brasileiros e brasileiras que vivem hoje em áreas de risco e alto risco, e a saída para o colapso está no repensar de lógicas e modos de vida que não chamem atenção somente diante de notícias assombrosas, mas que se construam sob uma pauta de educação ambiental e política que barrem a estupidez do negacionismo climático e urbanístico e da segregação sócio-espacial: que o a priori se direcione aos territórios, às suas diversas realidades e necessidades específicas, segundo Karina Macedo Fernandes


Algumas ações podem ser tomadas para diminuir o racismo ambiental , como, a criação de políticas públicas que levem em conta as desigualdades sociais e econômicas, a garantia do direito à participação das comunidades afetadas na tomada de decisão, a promoção da educação ambiental e a valorização do conhecimento ...


Os mais afetados com o racismo ambiental são as pessoas pretas, pardas e indígenas , pelas privações de recursos e direitos no Brasil, o que os deixa mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. É o que atesta o Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no fim de fevereiro.


Enfrentar às mudanças climáticas é preciso para lembrarmos do óbvio: nós fazemos parte da natureza. A água e os ecossistemas naturais não são simplesmente recursos, pois nós fazemos parte de todo esse sistema. Não é possível enfrentar a crise climática sem rever nossa forma de ser e estar no mundo, ou seja, nossos valores e sistema socioeconômico, baseado em uma produção sempre crescente para um consumo cada vez maior, o que é, em si, insustentável, pois exige recursos também crescentes. É preciso construir sociedades sustentáveis, aquelas que, segundo Sorrentino (1997), se caminha para sociedades (cada uma com suas especificidades) com qualidade de vida para todos e não mais baseadas na exploração do ser humano e natureza.


O combate às desigualdades sociais tem um papel fundamental, bem como rever os valores que nos guiam como humanidade.



Iyalorisà Juçara de Yemojà - AxéNews

Iyalorisà Juçara de Yemojà

Iyalorisà Juçara de Yemojà, enfermeira de formação, pós graduada em Ciências Políticas pela FGV, DR Honoris Causa pela Universidade FEBRAICA, graduada e especializada em Gerontologia, Gestora Cultural e Social, Gestora em Segurança Alimentar e Meio Ambiente, Gestora Hospitalar.. [+ informações da Iyalorisà Juçara de Yemojà]


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Telefone: 21 99672-5468

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