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Sem raiz, não há Cabaça

  • Foto do escritor: WR Express
    WR Express
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

Por: Mãe Kátia


31/03/2025 | 19:26


"Ẹni tí kò mọ irú, kì í mọ igbá." - Aquele que não conhece a raiz, não conhece a cabaça.


Este provérbio yorùbá nos convida a resgatar a ancestralidade, valorizar a origem e despertar a consciência espiritual. Ele se dirige àqueles que, em busca de sabedoria ou elevação, esquecem de olhar para o princípio, para o solo de onde tudo brotou.


A cabaça (ìgbá), na cosmovisão yorùbá, é mais do que um objeto. Ela é um símbolo sagrado de vida, ancestralidade, fertilidade, equilíbrio e sabedoria, representando o universo dividido em duas partes: Òrun (Céu) e Àiyé (Terra).



No entanto, não podemos esquecer: não há cabaça sem raiz. Sem a irú, a base e fundação que a gera, não há fruto, forma ou continuidade.


Este provérbio nos chama a olhar com respeito para nossos ancestrais. Conhecer quem somos é, antes de tudo, entender de onde viemos. Isso envolve os valores, saberes, traumas e curas que nos antecedem, e não se limita aos nomes da árvore genealógica.


Ninguém carrega o axé verdadeiro sem reverenciar a tradição que o sustenta. É impossível honrar os Òrìṣà sem honrar o chão onde seus cultos nasceram.


Na modernidade, muitos desejam colher sem plantar, querem a beleza da cabaça sem respeitar o tempo e o processo da raiz. Este provérbio nos alerta: não existe salto espiritual sem profundidade.


Todo saber que ignora sua origem é superficial. Não basta conhecer os rituais, é preciso compreender a filosofia que os sustenta. Não basta usar contas no pescoço, é necessário saber o que significam. Não basta falar de axé, se não se reconhece sua origem.


Isso também se aplica à vida pessoal: quantos de nós desejam força, reconhecimento e bênçãos sem antes se reconciliarem com a própria raiz emocional, família, corpo e Ori?


Guardem esta mensagem: "Não há axé naquilo que nasce do vazio. Não há elevação naquilo que despreza a raiz. A cabaça, bela e cheia de vida, só existe porque uma raiz a sustentou, nutriu e preparou em silêncio. Se hoje queremos ser recipientes de sabedoria, precisamos, com humildade, voltar à terra, tocar a raiz e agradecer a tudo e a todos que nos geraram."


Honrar a raiz é reconhecer que, antes de sermos sacerdotes, médiuns, mães, fomos filhos. Filhos de alguém, de uma cultura, de uma espiritualidade que não começa em nossa chegada, mas muito antes, no ventre do tempo.


Que estas palavras sirvam como o vento que sopra a terra e revela a semente esquecida. Porque sem raiz, não há cabaça. E sem cabaça, não há axé.



Mãe Kátia - AxéNews

Mãe Kátia

Mãe Kátia é sacerdotisa dirigente do Templo Luz do Amor Divino, Ìyálórìṣà coroada na Umbanda e iniciada nos cultos afro-brasileiro e tradicional Yorubá. Além de ser a fundadora do Projeto Social Mensageiros do Amor, que já atendeu mais de 300 famílias proporcionando a melhoria da qualidade de vida em suas comunidades e levando dignidade, respeito e humanidade, a Ìyálórìṣá tem um grande histórico acadêmico: possui formação em psicanálise com ênfase na ciência da religião e nas relações do homem com o universo consciente e inconsciente e graduação em metafísica da saúde, cromosofia, cromologia e em cromoterapia. [+ informações de Mãe Kátia]


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Artigo de Opinião: texto em que o(a) autor(a) apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretações de fatos, dados e vivências. ** Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do AxéNews.


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